Casos de consultório: o que fazer para ter mais ânimo e tomar decisões mais rapidamente?

Casos de consultório: o que fazer para ter mais ânimo e tomar decisões mais rapidamente?

De 0 a 10, a nota que deu para sua vida foi 6. O que faltava para ser 10? Faltava ter mais ânimo no dia a dia, faltava energia para tomar decisões importantes na empresa e faltava voltar a se dar bem com a esposa. Brigam e se desentendem tanto que não sabiam se queriam continuar juntos.

No caso de consultório de hoje eu vou revelar o que fazer para ter mais ânimo e força de vontade no dia a dia, vou falar sobre como se sentir mais seguro para tomar decisões e o que fazer quando o relacionamento a dois não vai bem.

Como funciona a primeira consulta (dentro do consultório)?

Depois que a pessoa chega, a recebia com um abraço, oferecia água ou chá, perguntava se precisava de alguma coisa e logo a conduzia para o consultório.
Ao iniciar o atendimento, falava brevemente de mim e de como seria o trabalho. Também questionava sobre o que tinha lhe incentivado em buscar pela terapia. Ou o que o fazia estar ali na minha frente naquele momento.

Em seguida eu perguntava: de 0 a 10, que nota você dá para a sua vida hoje? E depois: o que falta para ser 10?

A partir disso eu conduzia mais algumas perguntas que me ajudavam a nortear o trabalho.

Quer saber mais sobre dicas de atendimento, veja o vídeo abaixo!

Neste caso que vou falar hoje o cliente relatou que estava completamente desanimado com a vida. Suas palavras eram: “sinto preguiça até de levantar da cama de manhã”. Mesmo se esforçando para ter mais ânimo, não conseguia mudar esta realidade no dia a dia.

Sua empresa não ia muito bem. Tinha herdado do pai e desde que o pai morrera, tocava os negócios que eram da família. A mãe ajudava e trabalhava com ele. O irmão mais novo tinha aberto outro negócio, não trabalhavam mais juntos.

Sentia uma dor profunda e não aceitava a perda do pai, se sentia responsável por este negócio e tinha muitos problemas com funcionários. O maior desafio era com relação ao comprometimento dos colaboradores, pois sentia que não podia contar com a equipe.

Paralelo a isso, o seu casamento estava de mal a pior. Os dois estavam se desentendendo muito. Ele se sentia insatisfeito com a relação, mas também não fazia nada para mudar. Sua queixa maior era de que a esposa reclamava de tudo e parecia estar insatisfeita também. Não tinham filhos ainda e do jeito que estava indo o casamento, percebiam que não dava para nem pensar no assunto...

Bom, depois de me falar sobre os seus desafios, perguntei sobre como era a relação com os pais, como foi a sua infância e a adolescência, para entender mais profundamente a causa desses desequilíbrios.

Sobre a infância, lembra que convivia muito com o pai. Disse que ele era bom para todo mundo e desprendido com relação às coisas materiais. A mãe era briguenta e mais ríspida, mas se davam bem.

Com relação ao irmão, falou que não se dava muito bem quando crianças. Hoje se dão melhor, mas tem “um certo distanciamento”.

Análise do caso

Analisando profundamente essa história, podemos de cara entender algumas questões: a primeira que me chama atenção é a de assumir o lugar do pai.

Olha só! A dor e o peso da perda estão muito relacionados a isso, os conflitos dentro da empresa e com os colaboradores e até os desafios do casamento estão conectados com “ocupar um lugar que não era o seu”.

Mesmo que por amor a família e por necessidade, esta posição para um filho é muito grande. O ideal neste caso, era assumir a empresa, mas continuar se posicionando como o filho e não como o “pai da família”, entende?

Essa tendência que nós temos de assumir o lugar dos pais, faz com que nos sintamos muito grandes, mais do que a nossa capacidade e principalmente, auto exigimos muito de nós por conta disto.

Lembro bem que na regressão que fizemos na época, veio como lição para ele parar de assumir algo maior do que poderia. E que precisava se encontrar no seu real propósito de vida.

O desânimo, a preguiça e até os desentendimentos com a esposa, eram apenas consequência de ele querer ser “pai dela em casa”, “pai dentro da empresa” e sempre se posicionar acima de quem estava ao seu lado.

Só que se para a vida dele, assumir o papel de pai já era um peso grande, imagina “ser o pai” da esposa, dos colaboradores e de quem quer que passasse pela sua vida! Imagina quantas desordens isso poderia causar a médio e longo prazo!

Ao entender essas questões, comecei um trabalho de resgate daquilo que ele realmente queria para si. Pois simplesmente assumiu a empresa do pai, sem nunca ter se perguntado se era isso que gostava ou queria fazer da vida.

E claro, hoje em dia, poderia ajudar ele entender o quanto precisava ocupar o seu lugar de filho novamente, para então do seu lugar, conseguir perceber possibilidades e até alinhar para saber qual o seu caminho, a sua missão de vida.

Dicas de consultório

Para este caso o terapeuta pode trabalhar com algum exercício que o ajude a se alinhar com o seu real propósito de vida. Algo que libere ele da sensação de que precisa cuidar de tudo como “o pai”. Caso saiba algum método ou prática que ajude nisso, pode utilizar.

Outra sugestão é a de fazer uma mentalização, pedindo que ele se coloque no lugar de filho, de pequeno, para então estar disponível e ser grande na vida. E faria mais ou menos assim:

Feche seus olhos, respire profundamente e imagine, mentalize e conecte-se com o momento em que você era apenas um bebê! Olhe para você pequenininho no colo da sua mãe, recebendo o carinho do seu pai.

Veja como é confortável estar ali ganhando aquele colinho e aquele carinho! Volte a ser filho e receba a energia deste momento!

Olhe nos olhos da sua mãe e receba todo o amor que ela foi capaz de lhe dar, e sinta a bênção desse momento.
Olhe nos olhos do seu pai e receba toda a força que ele foi capaz de lhe dar, e perceba a grandiosidade desse momento.

Agora, mentalize os seus pais na sua frente, um do lado do outro, curve-se e reverencie eles. Diga mentalmente: mãe, pai eu sinto muito por querer que tudo fosse diferente e por querer ser maior do que vocês. Por amor eu deixei de ocupar meu lugar de filho. Mas agora estou aqui e ocupo o meu lugar.

Ao ocupar o meu lugar, recebo toda a bênção e o amor de vocês para seguir em frente. Gratidão, gratidão, gratidão por tudo que vocês fizeram por mim!

Gratidão por esse momento!

Nesse instante, veja todo o seu sistema familiar e todos que vieram antes. Honre a sua história, a sua família e agradeça a todos.

Vire-se de costas e olhe para o seu futuro, sentindo como é leve estar aí e ocupar o seu lugar.

Após esse exercício, o ideal é indicar que exercite esse processo mental de se colocar como filho, de se sentir pequeno diante deles.

Também pode aplicar alguma técnica de energização ou fazer alguma prática que esteja conectada com o momento.

Sempre indico que você busque ideias e práticas que já mudaram a sua vida. Tem algo sobre o que relatei neste caso e que você poderia fazer no consultório com esta pessoa? Se sim, use essas dicas e aplique-as na sua consulta!

Caso sinta que só a mentalização já ajudou e liberou muita coisa, pode finalizar o atendimento.

É possível que uma mentalização como esta, seja bem emocionante para o consultante, pois vai acessar a energia do pai e isso tende a mexer muito. Apenas acolha e deixe fluir o que vier no momento.

Lembrando que estas dicas seriam trabalhadas apenas na primeira consulta. O ideal é que seja dado continuidade para que você veja os movimentos que serão feitos pelo seu cliente. E aí poder ajudar ele nos próximos passos.

Vou deixar aqui abaixo um vídeo falando sobre mudar de propósito, com dicas extras sobre essa questão, ok?