Casos de consultório: como se desprender do que passou e acreditar no futuro?

Casos de consultório: como se desprender do que passou e acreditar no futuro?

O principal problema dessa consultante era a síndrome do pânico. Não podia mais ficar sozinha em casa e não conseguia fazer nada sozinha.

Para a sua vida ser dez, queria deixar de se sentir tão sozinha e ser independente, pois não conseguia fazer mais nada sem ter alguém por perto. E isso incomodava, doía.

Como funciona a primeira consulta (dentro do consultório)?

Quer saber como funciona a primeira consulta de Terapia Holística? Então veja o vídeo abaixo!

E se você é terapeuta, o vídeo vai lhe dar dicas bem bacanas sobre como se preparar para o primeiro atendimento.

Conforme você já viu no início deste post, uma das perguntas que faço na primeira consulta é: o que lhe incentivou buscar a terapia? Quais são as suas principais dificuldades, dores e problemas no momento?

Depois disso, eu pergunto sobre o relacionamento com os pais, relacionamento amoroso, fatos marcantes sobre a infância e sobre a adolescência, situações cíclicas e outras perguntas que vão fluindo conforme o momento.

Também gosto de indicar para os profissionais que montem o seu roteiro de perguntas, mas que também siga a sua intuição e vá conduzindo os atendimentos com os questionamentos que são importantes para aquele cliente.

Falando mais sobre este caso, ela comentou que tinha uma relação maravilhosa com os pais e que tinha um excesso de proteção por parte deles. Mas achava isso totalmente normal.

Comentou também que a família é muito unida e que é muito amiga da mãe.

É a filha mais nova. Na infância brincava muito na rua, tinha facilidade em conviver com os amigos. Depois foi se travando e foi percebendo que vinham pensamentos ruins. O irmão mais velho teve câncer.

Quando tinha quase 16 anos o amor de infância faleceu. E a situação foi parecida com a do irmão. Comentou que era muito apegada e que ele se aproveitava dela.

Disse também que se sentia muito apegada a mãe, porque ela ajuda, está sempre por perto e nunca se imagina sem estar próxima da mãe.

É muito emotiva, sente muito medo e insegurança. E hoje, por causa da síndrome do pânico tem tremedeira, falta de ar, sufoco e medo de ficar sozinha.

Análise do caso

Analisando o caso, já dá para perceber a ausência do pai. Embora ela falasse que os pais se davam bem e que o relacionamento era maravilhoso, ela só falava da mãe o tempo todo. Fugia de comentar sobre o pai.

Aos poucos deu para entender também que a mãe se tornou “pai e mãe” da filha. E que isso fez com que o pai, mesmo se esforçando, tivesse menos conexão com a filha.

Além disso, quase todos os casos de síndrome do pânico que atendi, tinha algo em comum: o medo de seguir sozinho pela vida, medo de ser diferente do que alguém dizia e medo de ter um propósito de vida.

Vou explicar melhor. Bem, primeiro isso acontece por causa do excesso de proteção, que na maioria das vezes está relacionado aos pais ou aos filhos. Cheguei a ter uma consultante com síndrome do pânico que fazia tudo que a filha dizia.

E segundo que o medo vai crescendo na vida adulta, justamente porque esse comportamento continua sendo como o de uma criança, que precisa de colo, de proteção e que rejeita os movimentos da vida adulta. E aí não consegue ter projetos de vida, acreditar no futuro e seguir sozinho.

Só que isso é totalmente inconsciente. Geralmente quem age assim não tem essa percepção.

Com relação a esta consultante, embora a mãe quisesse compensar a presença do pai, ainda assim a mãe não era capaz de sanar essa falta. Isso é muito comum quando o casal se separa, quando o homem viaja muito ou trabalha demais e fica mais tempo ausente... Mesmo tendo todo o amor do mundo, este filho precisa do amor e da força do pai, tanto quanto o da mãe. Algo que era necessário resgatar urgentemente.

Teve um momento que ela mesma mencionou o fato de ser mimada demais pela mãe. Isso indicava uma dificuldade que a mãe tinha de deixar ela “ir para o pai”. No sentido de deixar o pai ser pai e estar presente na vida dela.

Outra questão importante aqui é analisar as situações de perda, que provavelmente podem acontecer e ficarem mais frequentes, se ela não trabalhasse essas questões que estamos vendo aqui.

Ter o amor do pai é tão importante quanto o da mãe. Afinal, ambos ocupam um lugar importante na nossa vida e os dois foram responsáveis por estarmos aqui.

Pois a mãe representa a forma como construímos a vida. É a energia de mãe que vai fazer o nosso trabalho crescer e prosperar. Ela é quem nos carrega por 9 meses dentro da barriga.

E se a mãe é quem nos dá força para construir vida. O pai é quem nos dá força para levar o nosso trabalho e o que temos de melhor dentro de nós, para o mundo.

Cada vez mais precisamos olhar para os pais, respeitar o lugar deles de grande e nos colocarmos no nosso lugar de pequeno e de filho, para então receber toda a força que eles têm. Pois essa mesma força que eles tiveram para nos formar e nos criar, nós podemos dedicar a nossa vida.

Por isso que respeitar e honrar quem veio antes, dá muita força para nós. Logo vamos fazer um exercício para entrar nessa sintonia e você vai sentir como funciona na prática.

Dicas de consultório

Bem, para ativar a energia e se conectar com o pai, vou sugerir um exercício, uma mentalização para desbloquear os medos e também ajudar para que você consiga “ir para a vida e acreditar no seu futuro”. Pois foram essas questões que trabalhei com esta consultante em consultório. Vamos lá?

Feche os seus olhos, respire profundamente e entre em conexão com este momento, consigo mesmo e com os movimentos do próprio corpo: a respiração, o sangue que circula nas suas veias, as sensações físicas que estão acontecendo nesse instante.

Ao entrar nesse fluxo de sentir o corpo, sinta a vida! E ao sentir a força que faz você se manter vivo, conecte-se com a força da criação e de quem lhe trouxe para este mundo.

Pense no seu pai, pense na sua mãe e na sua concepção. Quanto amor e quanta bênção veio através deles para que você nascesse e estivesse nesse mundo!

E ao conectar-se com esse fluxo e sentir a força e a bênçãos dos seus pais, “olhe para a sua mãe” e diga mentalmente: “mãe eu amo muito você e eu sempre te amarei. Mas eu também amo muito o meu pai. Por causa de vocês dois é que estou aqui e você pôde me carregar nos braços, me dar o sustento e cuidar de mim. Serei eternamente grata a você mãe! Eu posso ser fiel a você, e também posso seguir o meu caminho e ser diferente. Neste momento eu peço a sua bênção para ter coragem, confiança e a certeza de que agora, sendo adulta, eu posso seguir o meu propósito e fazer o que acho melhor. Com isso, eu poderei honrar você e tudo que você fez por mim. Você me deu mais do que o suficiente! Agora eu preciso ir sozinha, com você dentro do meu coração.”

Agora “olhe para o seu pai” e diga mentalmente: “pai, eu amo muito você e eu sinto muito por também ter sido ausente e por ter olhado apenas para a mamãe. Pai, eu olho para você e eu sinto você e sinto todo o seu amor, o seu colo e a sua proteção. Eu sempre sentirei e viverei para honrar o que você me deu. Tenho consciência de que recebi mais do que o suficiente. E nesse momento eu peço a sua bênção para seguir a minha vida sozinha. Porque eu sei que é a sua força que vai me conduzir para que eu vá para o mundo e possa estar a serviço da vida.


É importante que esta pessoa faça mais “movimentos” em direção ao pai, mesmo que seja mentalmente. Por isso se você é terapeuta, pode gravar um áudio e mande para o cliente ouvir e fazer a prática mais vezes.

Deixe “a sua intuição de terapeuta lhe dizer” se apenas este movimento foi o suficiente ou se precisa de algo mais.

No final do atendimento é importante pedir que a pessoa volte e continue o tratamento. Pois a partir do segundo atendimento, se ela fizer o exercício diariamente, já vai sentir profundas transformações. E se não fizer, você pode auxiliar com outros recursos, além de acompanhar os movimentos dessa cliente.

Eu sempre conduzia os próximos atendimentos ajudando a pessoa com suas metas e desejos. E aí usava os recursos que eu tinha para auxiliar no que fosse preciso.

Para complementar, quero deixar aqui um vídeo com algumas dicas extras. Nele eu falo sobre a ansiedade e o medo do futuro.